Eu, Giovana. Inscrever-se
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Reencontro

Reencontro

Não sei se todo mundo nasce um pouco escritor, mas, com o passar do tempo, é fato que deixamos muitas coisas adormecerem.

Quando soube que o Journal era uma ferramenta aberta ao público, fui logo criando o meu perfil. Contudo, não demorou muito para que os pensamentos introspectivos chegassem: "Mas por que você teria um blog"? "Sobre o que você vai falar?", "Desde quando você escreve"?

Então, passei a refletir a respeito e me dei conta de que, na verdade, eu sempre escrevi.

Quando pequena, escrevia sobre a minha "vida" em meus muitos diários, que me acompanharam até a adolescência. Quando escolhi minha profissão - advogada - escolhi primeiro o Direito, afinal "sempre gostei muito de escrever".

Quando iniciei na faculdade, no ano de 2007, aquela jovem de apenas 18 anos carregava consigo uma grande dúvida: será que é isso mesmo que eu quero?

E essa dúvida existia porque aquela jovem amava escrever, mas sobre futebol! Aquela garota sonhava em ser jornalista esportiva e seu início já era - a seu ver - muito promissor: um blog no site do jornal Lance!.

Passei a me lembrar das vezes em que os textos eram tão bons que ficavam na capa do site Lance! ou, ainda, eram publicados nas versões impressas do jornal. Como aquela futura jornalista poderia não dar certo?!

Mas aí, as circunstâncias da época, da vida, do medo que minha mãe sentia com o fato de que certamente eu me mudaria do interior para a capital (de Atibaia para São Paulo), me fizeram ficar.

Fiz o primeiro ano da faculdade de direito. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Nas horas vagas, continuava blogueira.

No segundo ano da faculdade, a dúvida veio ainda mais forte e carregada da possibilidade de transferir o meu curso para jornalismo. Entretanto, ali só existia um caminho a trilhar. Era pegar ou largar, qualquer que fosse o caminho.

Optei por seguir em frente. Me formei em Direito no ano de 2011 e, no ano seguinte, iniciei na advocacia.

Meu blog era outro. Agora, eu escrevia majoritariamente para juízes. Uma leitura muito mais séria, pesada e "chata", se comparada ao prazer da leitura e da escrita do futebol.

E foi aí, em meio a tantas reflexões e memórias, que eu me dei conta de que sim, eu continuo uma escritora. Mas, concluí também que, ao longo desses quatorze anos de profissão, me deixei levar pela dureza das palavras que utilizamos no Direito, pelas muitas obrigações a serem cumpridas, pelas cobranças, pelos prazos e pelas respostas ainda mais duras vindas do outro lado do computador, seja nas ações vencidas ou não. Afinal, ainda que tenhamos muitos finais felizes, não há flores, fantasias e nem romances no Direito.

Notei, por fim, que essa advogada criou uma grande "casca grossa", uma verdadeira barreira que a impedia de sentir-se uma escritora novamente. Escritora leve, capaz de reunir sentimentos em palavras, mesmo que elas não falassem sobre Direito. E então, ao final de toda essa reflexão, percebi que sim, certamente deixei adormecer o meu "eu escritora", juntamente com a leveza e a liberdade da imaginação, da criatividade. Mas hoje estou aqui, de volta: "Eu, Giovana".

#Escrita#Memórias#Reflexões#Autoconhecimento#Recomeços#Advocacia.