Acredito que veremos mais empresas procurando fornecedores que assumam uma parte do trabalho que hoje precisa ser feito dentro de casa. O software continuará no centro dessa entrega, acompanhado de uma expectativa maior de execução.
É uma possibilidade que me chama a atenção na discussão sobre SWaS, ou Software with a Service: combinar uma plataforma com serviços especializados para ajudar o cliente a obter valor dela. Pensando no futuro, vejo espaço para essa combinação assumir uma parcela maior da operação.
Imagine uma empresa contratando uma solução de atendimento. Ela definiria suas regras, os limites de atuação e os critérios de qualidade. Com essas orientações, a tecnologia poderia entender solicitações, consultar informações e resolver demandas rotineiras, encaminhando para uma pessoa os casos que exigissem análise ou autorização.
O fornecedor teria uma participação contínua nessa entrega: acompanhar a qualidade, ajustar os processos e corrigir falhas. A equipe do cliente poderia concentrar sua atenção nas decisões e nas situações que precisassem de intervenção.
Nesse cenário, a IA teria um papel importante para tornar essa operação viável em maior escala. Conforme sua capacidade e confiabilidade avançassem, mais etapas poderiam ser executadas com menos intervenção manual. O conhecimento sobre o negócio ajudaria a definir o que automatizar e como avaliar cada entrega.
Isso poderia mudar até a conversa comercial. Além de perguntar quais funcionalidades uma plataforma possui, o cliente teria motivos para perguntar quanto trabalho ela consegue assumir, com qual qualidade e quem responde quando alguma coisa sai do esperado.
Existe um desafio importante para quem vende essa proposta: assumir mais responsabilidade exige conhecer melhor a operação do cliente. Dados confiáveis, integrações funcionando e limites claros de atuação seriam parte essencial do serviço. A participação humana precisaria estar prevista, inclusive para corrigir o rumo quando necessário.
Imagino essa transformação acontecendo em ritmos diferentes. Empresas com equipes especializadas poderão continuar valorizando autonomia para operar suas ferramentas. Outras poderão preferir contratar uma solução que assuma tarefas inteiras e reduza a necessidade de coordenação interna.
Pensando no futuro do ATweb, esse é um caminho que nos interessa explorar: entender quais partes do trabalho conseguimos tornar mais simples e quais poderemos ajudar a executar, com consistência e responsabilidade.
Fato é que haverá cada vez mais valor em assumir uma parte bem definida do trabalho do cliente e realizá-la bem. O desafio de quem constrói software será transformar essa promessa em uma entrega na qual a empresa consiga confiar todos os dias.