Se a minha empresa consegue criar o próprio sistema, por que continuar pagando por um SaaS? Essa é uma pergunta que muitas empresas têm feito para si mesmas.
Com a IA facilitando o desenvolvimento, essa pergunta ganha força. A possibilidade de ter algo feito sob medida, com mais autonomia e sem aquela mensalidade, é atraente. Entendo quem considera esse caminho.
Mas acredito que a maioria das empresas ainda vai preferir contratar um software de mercado. E boa parte dessa escolha tem a ver com o que acontece depois que o sistema começa a funcionar.
Criar é uma etapa. Sustentar uma operação é um compromisso contínuo.
Uma demonstração pode funcionar muito bem. O cadastro está pronto, o painel mostra os números e o fluxo parece resolvido. Até que chegam as exceções: o cliente com uma regra diferente, a integração que falha, o usuário que executa uma ação inesperada, o volume que cresce além do previsto.
É nesse momento que a experiência acumulada faz diferença.
Ao contratar um SaaS, a empresa também está contratando o conhecimento de quem já encontrou muitos desses problemas. Existe aprendizado nas validações, nas permissões, nas regras e até naquele detalhe da tela cujo motivo talvez não seja evidente para quem está começando.
À frente do ATweb, vejo como esse conhecimento se constrói no contato com a operação. Quando começamos, pensávamos em atender empresas menores. A chegada de clientes maiores trouxe situações que nos obrigaram a aprender rápido. Estar perto dos usuários, entender processos e acompanhar implantações foi formando um repertório que hoje orienta nossas decisões.
Esse know-how também faz parte do produto.
Outro ponto é a continuidade. Quem vai cuidar do sistema próprio daqui a dois anos? E se a pessoa que o criou sair da empresa? Quem acompanha as integrações, corrige falhas, mantém a segurança e adapta tudo quando o negócio muda?
A mensalidade pode desaparecer, mas a responsabilidade permanece. Ela passa a ser interna e precisa de tempo, orçamento e pessoas.
E existe um valor muito concreto em ter para quem ligar quando algo dá errado.
Quando a operação para, você quer alguém que conheça o sistema, entenda o impacto e assuma a condução do problema. Esse suporte precisa funcionar de verdade. Ter um fornecedor, por si só, não garante isso.
Claro que desenvolver internamente pode fazer sentido. Principalmente quando o processo é muito específico, representa um diferencial competitivo ou existe uma equipe preparada para cuidar dele ao longo do tempo.
Também acredito que esse movimento vai cobrar mais dos fornecedores de SaaS. Uma ferramenta que entrega pouco e atende mal terá dificuldade para justificar sua mensalidade.
Por isso, vejo espaço para sistemas próprios e soluções de mercado conviverem. Minha aposta é que muitas empresas continuarão escolhendo parceiros que entreguem experiência, evolução e confiança, enquanto concentram sua energia no próprio negócio.
A pergunta que eu faria antes de cancelar um SaaS é: queremos assumir a responsabilidade por esse software durante os próximos anos?
Até a próxima 😉