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<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><channel><title>The Buy Button</title><link>https://journal.artifactory.com.br/thebuybutton</link><description>Artigos e notas de The Buy Button.</description><language>pt-BR</language>
<item><title>Três ROAS pra mesma campanha</title><link>https://journal.artifactory.com.br/thebuybutton/a/tres-roas-pra-mesma-campanha</link><guid>https://journal.artifactory.com.br/thebuybutton/a/tres-roas-pra-mesma-campanha</guid><pubDate>Sun, 18 Oct 2026 15:20:54 GMT</pubDate><description>Três ROAS, uma campanha. Em qual você acredita? </description><content:encoded><![CDATA[<p>Olá!</p>
<p>Esta é a primeira edição da The Buy Button. Toda semana, uma decisão de e-commerce que você vai reconhecer no seu negócio, o raciocínio e a ciência por trás dela, e o que fazer na segunda-feira.</p>
<p>A de hoje começa com uma pergunta que aparece em quase toda reunião de resultado.</p>
<hr class="jr-sep">
<p>Você abre o Gerenciador de Anúncios e a campanha de catálogo pra novos clientes tem um ROAS lindo.</p>
<p>Abre o GA4 e a mesma campanha tem menos da metade disso.</p>
<p>Abre o caixa da loja, o que entrou de verdade, e aparece um terceiro número. Bem mais perto do GA4 do que do Gerenciador.</p>
<p>Mesma campanha. Mesma semana. Três respostas.</p>
<p>E aí alguém pergunta: &quot;e então, escala ou não escala?&quot;</p>
<h2>Qual dos três está certo?</h2>
<p><strong>Nenhum dos três responde a pergunta que importa.</strong></p>
<p>Os três medem quem comprou depois de ver o anúncio. A pergunta de quem paga a mídia é outra: quem comprou por causa do anúncio.</p>
<p>Cada lente erra de um jeito diferente. Saber como cada uma erra vale mais do que escolher uma favorita.</p>
<h2>A síndrome do juiz-jogador</h2>
<p>Imagina um jogo em que o juiz também joga num dos times.</p>
<p>Ele nem precisa roubar. Basta, em toda dividida duvidosa, achar que foi falta a favor dele. No fim do jogo o placar dele sai sempre um pouco mais bonito que o do juiz de fora.</p>
<p>O pixel da Meta é esse juiz. É a plataforma medindo o próprio trabalho.</p>
<p>Ele não está mentindo. Ele só é generoso: dá crédito pra qualquer venda que aconteceu dentro da janela depois de um clique (e, se você deixar, depois de uma simples visualização). Inclusive a venda da pessoa que já tinha o produto no carrinho e ia comprar de qualquer jeito.</p>
<p>Em campanha de catálogo e de remarketing isso pesa muito, porque o algoritmo é ótimo em achar justamente quem já estava quase comprando. Não é raro o pixel mostrar mais que o dobro do que o caixa confirma.</p>
<p>Minha hipótese: quanto mais &quot;quente&quot; o público da campanha, maior a distância entre o pixel e o caixa. É onde o juiz tem mais dividida pra apitar.</p>
<h2><strong>O GA4 também tem o seu ponto cego</strong></h2>
<p>Aí a tentação é correr pro GA4 e chamar ele de verdade. Cuidado.</p>
<p>O GA4 padrão dá o crédito pro último clique. Quem abriu a porta lá atrás (o vídeo que a pessoa viu no Instagram três dias antes de buscar a marca no Google) some da conta.</p>
<p>E tem um problema mais feio, que eu já vi mais de uma vez: o encanamento quebra. Um aplicativo no meio do caminho perde o nome da campanha antes de chegar no Analytics, e o GA4 passa a não saber de onde a venda veio. O gráfico cai, a reunião entra em pânico, e a mídia não mudou nada.</p>
<p>O pixel tende a mostrar mais do que aconteceu. O GA4 tende a mostrar menos, e às vezes está simplesmente cego.</p>
<h2>O caixa não mente, mas também não explica</h2>
<p>O caixa é o dinheiro que entrou, sem os pedidos cancelados. É a única lente que o financeiro reconhece.</p>
<p>Dele sai o número que eu mais gosto de olhar: o MER (venda real do site ÷ investimento total em mídia). Ele diz se a mídia, no conjunto, está pagando a conta.</p>
<p>O problema é que o caixa não sabe qual campanha fez o quê. É ótimo pra dizer se está funcionando e péssimo pra dizer onde.</p>
<p>Então a gente tem um juiz-jogador, um juiz míope e um contador que não assistiu ao jogo.</p>
<hr class="jr-sep">
<h2>Na cozinha 🧪</h2>
<p>Isso não é implicância minha com o pixel.</p>
<p>Em 2014, dois economistas, Randall Lewis (Google) e Justin Rao (Microsoft Research), analisaram 25 experimentos de anúncio com grandes varejistas americanos. Cada um alcançou milhões de pessoas, e todos tinham grupo de controle sorteado. O padrão-ouro.</p>
<p>Mesmo assim, o intervalo de confiança mediano do retorno sobre o investimento passou de 100 pontos percentuais de largura. A campanha podia estar dando lucro ou prejuízo, e o teste não conseguia dizer qual dos dois.</p>
<p>E o achado que mais importa pro nosso dia a dia: o efeito de &quot;quem vê o anúncio já era mais propenso a comprar&quot; pode ser da ordem de 30 vezes o efeito real do anúncio.</p>
<p>Se com milhões de pessoas e sorteio perfeito já é difícil ter certeza, uma janela de 7 dias olhando só quem clicou não vai ter.</p>
<hr class="jr-sep">
<h2>Segunda-feira ✅</h2>
<p>Coloca os três números lado a lado, por campanha. E olha a razão entre pixel e caixa, não o número em si. Se essa razão sobe enquanto o MER cai, a campanha está colhendo venda que viria de qualquer jeito, e não plantando venda nova.</p>
<p>Pra decidir escala de campanha de aquisição, olha o % de clientes novos no caixa antes e depois. Se o ROAS do pixel subiu e o % de novos não mexeu, o juiz apitou a favor dele de novo.</p>
<p>Se a decisão é grande, testa com grupo de controle. Um teste de lift da própria plataforma ou um holdout simples: desliga numa região ou num período de duas semanas e compara. É mais caro e mais lento, e é a única lente que mede o &quot;por causa&quot;.</p>
<h2>Pra quem decide 💼</h2>
<p>Se a sua agência (ou o seu time) só te mostra o ROAS do Gerenciador, pede os três números lado a lado.</p>
<p>Não é pra pegar ninguém na mentira. É porque a meta precisa nascer e ser cobrada na mesma régua. Meta de ROAS do pixel cobrada pelo caixa é briga garantida todo fim de mês.</p>
<p>Combina uma régua só: MER pra saber se a mídia paga a conta, e o pixel só pra comparar campanha com campanha dentro da plataforma.</p>
<hr class="jr-sep">
<p>Na sua operação, qual é a distância entre o ROAS do Gerenciador e o que entrou no caixa?</p>
<p>Se você não sabe de cabeça, é por aí que eu começaria essa semana. E se quiser, responde este e-mail com o que encontrou. Eu leio todos.</p>
<p>Até a próxima semana, Murillo</p>]]></content:encoded></item>
</channel></rss>